sexta-feira, 14 de maio de 2010

FICHA LIMPA

11/05/2010 21:01
Câmara rejeita mudanças no Ficha Limpa, que agora vai ao Senado


Na votação desta terça-feira, foram derrubados sete destaques. Outros três já haviam sido rejeitados.
   Rodolfo Stuckert



Michel Temer: aprovação do projeto é uma vitória do povo brasileiro.

O Plenário concluiu nesta terça-feira a votação do Ficha Limpa (projetos de Lei Complementar 168/93, 518/09 e outros). O substitutivoEspécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto. O substitutivo é apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas pode ser rejeitado em favor do projeto original. do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), aprovado na semana passada, foi mantido e impede as candidaturas de pessoas condenadas pela Justiça em decisão colegiada por crimes de maior gravidade, como corrupção, abuso de poder econômico, homicídio e tráfico de drogas. Um acordo entre as lideranças partidárias viabilizou a rejeição de todos os destaques apresentados, e a matéria segue agora para o Senado.

O texto também amplia os casos de inelegibilidade e unifica em oito anos o período durante o qual o candidato ficará sem poder se candidatar. Atualmente, a lei prevê inelegibilidade somente para as condenações finais (transitadas em julgado), e os prazos variam de 3 a 8 anos.

As condenações que podem gerar inelegibilidade são aquelas para crimes com penas maiores que dois anos de privação de liberdade e em situações nas quais houve dolo (intenção de praticar o ato).

O presidente Michel Temer aplaudiu a aprovação do projeto, classificando-a como um "exemplo vivo de democracia". Ele manifestou o desejo de compartilhar com todos os deputados "esta vitória que o povo brasileiro teve com a aprovação de um projeto do povo".

Temer lamentou que a opinião pública não compreenda, em determinados casos, a necessidade de mais tempo para negociar a aprovação de um texto de consenso em benefício da sociedade.

Efeito suspensivo
Segundo o substitutivo de Cardozo, o candidato poderá pedir efeito suspensivo para o recurso que apresentar contra uma decisão colegiada, mas isso dará mais rapidez ao processo, que terá prioridade de julgamento.

Se o recurso for negado, será cancelado o registro da candidatura ou o diploma do eleito.

Cardozo, relator da matéria pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), explicou que o efeito suspensivo tem o objetivo de conciliar dois fatores: por um lado, o desejo da sociedade de evitar que pessoas sem ficha limpa disputem cargos eletivos; e, por outro lado, o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Renúncia
O projeto aprovado inclui, na Lei Complementar 64/90, a renúncia para evitar processo de perda de mandato como um dos motivos para tornar o político inelegível. Isso valerá para os titulares do Executivo e do Legislativo em todas as esferas (federal, estadual, distrital e municipal).

Prioridade
A prioridade de julgamento do recurso com efeito suspensivo será sobre todos os demais, exceto mandados de segurançaProcesso para garantir direito líquido e certo, individual ou coletivo, que esteja sendo violado ou ameaçado por ato considerado ilegal ou inconstitucional de uma autoridade. O recurso ordinário em mandado de segurança para o Supremo Tribunal Federal pode ser ajuizado somente quando o pedido é negado por outros tribunais, em última ou única instância. e habeas corpusMedida que visa proteger o direito de ir e vir. É concedido sempre que alguém sofre ou se acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Quando há apenas ameaça a direito, o habeas corpus é preventivo. .

O texto prevê, ainda, que a prática de atos pela defesa com a mera intenção de ganhar tempo (recursos protelatórios) provocará a revogação do efeito suspensivo.

Quando o projeto virar lei, os recursos já apresentados contra a decisão de um colegiado poderão ganhar o efeito suspensivo com prioridade de julgamento, se a defesa pedir.

Histórico
José Eduardo Cardozo tomou como base o texto do deputado Indio da Costa (DEM-RJ), relator do grupo de trabalho da Ficha Limpa, criado por Temer para aprofundar a análise do PLP 518/09. Esse projeto, de iniciativa popular, teve cerca de 1,6 milhão de assinaturas colhidas pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

A proposta popular previa que qualquer condenação, mesmo em primeira instância, tornaria o candidato inelegível. Porém, a maioria dessas decisões é tomada por apenas um juiz, o que poderia gerar perseguições em regiões onde o poder econômico ou político influencia julgamentos.


   fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/147713.html

terça-feira, 27 de abril de 2010

Estudo aponta influência das religiões sobre gravidez em adolescentes.
terça-feira, 27 de abril de 2010, às 8h00


Adeptos de diferentes religiões têm comportamentos diversos quando se trata de gravidez e casamento na adolescência, segundo números extraídos do Censo 2000. A comparação de percentuais de adolescentes que tiveram filhos entre batistas, protestantes, pentecostais e católicas, de acordo com estudo que será apresentado durante o Seminário sobre Economia Mineira (Seminário de Diamantina), em maio, constata que jovens da religião batista e afiliadas a outras igrejas protestantes tradicionais apresentam os menores índices.

Sob o título Deus dá, Deus tira, o estudo, que começou a ser desenvolvido durante o doutorado da pesquisadora Luciene Longo, no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, e o pós-doutorado de Paula Miranda Ribeiro, professora da mesma Unidade, analisou amostra de 119.978 mulheres de 15 a 19 anos, em Minas Gerais. Destas, 14.175 tinham filhos e, deste grupo, 7.181 deram à luz nos 12 meses anteriores ao Censo.

Segundo os dados obtidos, 80,7% das adolescentes do estado se declaram católicas. E 11,7% delas têm filhos. Já entre as jovens que se declararam sem religião, uma em cada cinco haviam tido filhos. As batistas e vinculadas a outras igrejas protestantes – cerca de 4% da população – têm dois terços da chance das católicas de ter filhos durante a adolescência. Mas as jovens filiadas à Igreja Universal do Reino de Deus seguem caminho inverso, apresentando chance 30% maior que a das católicas de gerar filhos ainda bem jovens.

Análises
Os dados são claros, mas as causas ainda não. Para Luciene Longo, que é analista socioeconômica do IBGE, diversos fatores podem influenciar as taxas de fecundidade. “É preciso cuidado ao analisar os dados, pois os filiados a igrejas protestantes e pentecostais, por exemplo, podem vir a se casar mais cedo e constituir famílias ainda muito jovens. Os filhos nascidos de pais entre 15 e 19 anos não são, portanto, necessariamente resultado de descuidos. Podem ter sido planejados”, afirma a pesquisadora.

Outros fatores como a escolaridade e a idade podem, ainda segundo Luciene, exercer influências nos resultados. “A proporção de adolescentes com filhos é consideravelmente maior nos grupos de menor escolaridade”, relata. A incidência de gravidez é de uma em cada quatro mulheres para quem tem quatro anos de estudo ou menos, cerca de 25%. Em contraste, entre as mulheres com oito anos de estudo, uma em cada doze tem filhos, ou cerca de 8%. No caso da idade, a relação de crescimento é direta. A porcentagem sobe de 2% aos 15 anos para 25% aos 19.

A pesquisa tem um aspecto inovador: a divisão dos dados em mesorregiões. Até então, segundo Luciene, nenhum estudo brasileiro havia focado sua análise na fecundidade adolescente e religião em divisões regionais. “Esse critério facilita o direcionamento de políticas de aproximação social e de campanhas de saúde”, explica a pesquisadora..

quarta-feira, 10 de março de 2010

NEGO DRAMAS - Consciência Negra

Mais uma vez o NEGO DRAMAS como tantos outros vem expressar sua indignação acerca das falacias de alguns os quais se escondem e não tem hombridade o suficiente para refletirem e caráter para estabelecer um dialogo sobre a questão, porque os mesmos são desprovidos de uma condição minimamente razoável da sua capacidade intelectual e moral, por se tratarem de uma pequena parcela de FANTOCHES. Expressamos ainda nossos respeitos a todas as Igrejas Cristãs e Evangélicas, porém não podemos calar mediante um momento tão importante na historia da população negra principalmente em Uberlândia/.
Pois bem a falácia volta à tona, mas desta vez não podemos abaixar a cabeça sem refletir e ponderarmos alguns fatos que ao longo da historia da humanidade acerca da colonização foram cometidas atrocidades relacionados de extermínio e limpeza étnica em nome da fé, ou seja, que fé? Qual fé? A da opressão da Santa Inquisição? A dos abusos cometidos contra mulheres e crianças? O não uso de preservativos para a proliferação de DST’S, AIDS e o estimulo á natalidade desenfreada pela falta de cuidados? Sem contar outras enfermidades.
Estamos num estagio que não cabe mais a submissão de outrora, ou seja, eu falo você obedece e fica quieto, o momento é serio importante e requer o mínimo de sensatez e respeito, porque estamos falando de seres que buscam e lutam por liberdade não apenas para os negros escravos, mas contra uma escravidão que perdura aos dias atuais refletidas nas mazelas sociais que acometem a população as quais são tratadas com descaso pelo poder publico e perpetuando em alguns locais tradições antigas latentes do coronelismo com o controle pela fé que desde dos primórdios assola a sociedade.
Não podemos e não devemos ficarmos apáticos ás pessoas que expõem de forma tão simplória, grosseira e ate mesmo desdenhosa advinda da sua falta de compostura e inteligência. Em Uberlândia como em todo o país vivemos e notamos claramente um extermínio social do cidadão pobre, e ainda por cima negro, o qual tem que pagar pelas ingerências publica e ser conivente com as temerosidades de algumas pessoas e ainda por cima serem reprimidas pela sua fé.
Porque não tratarmos da antiga historia capitalista do navio negreiro apoiada pela fé que vitimou milhões de pessoas e massacrou índios, violentou varias índias em nome de uma pseudo purificação, atrocidades as quais se repetem contemporaneidade afora, porém nos esquecemos da cultura local de modos e padrões, nos esquecemos ainda do ponto em que o pensamento é a dominação não podem se romper, que a exploração e o poder não podem ser incomodados ou invadidos, as arquiteturas e os ambientes não podem ser desarmonizados, por isso temos que buscar mecanismos de demarcação para evitar a invasão desses negros agitadores, vamos esquecer a laicidade e recorrer à fé.
Onde se encontram nossas divindades e santidades que não tratam dos desrespeitos nas filas das repartições publicas, nos postos de saúde, na falta de vagas nas escolas, nas filas dos bancos, a constituição com suas falhas que não assegura a legitimidade aos direitos e quem dirá o acesso ás oportunidades entre outros, e você senhor fervoroso praticante da fé que ocupa temporariamente o poder, se de fato cumprisse com o que lhe é de dever, não deveria estar sendo garantido ao ser humano o direito ao acesso ás oportunidades de cidadania, pois o papel fundamental do estado deve ser de garantir e implantar políticas publicas de interesse do cidadão sem discriminação, garantido pela constituição federal, a qual não acontece e a mesma não e tratada de forma responsável e moral, o senhor de fato conhece as enfermidades sociais? Sabe a quem elas acometem?
Dessa forma mais uma pagina da busca desenfreada, hipócrita e imbecil dos negros se torna motivo de descaso, e pior ainda é em Uberlândia, onde os COVARDES, HIPOCRITAS, IMBECIS E LEVIANOS apenas apontam e atiram contra, sem ao menos participar ou conhecer, e muito menos se informam a respeito.
Entretanto ratificamos a máxima que cabe a todo e qualquer PRETO OU NÃO PRETO FUDIDO de não calar a boca, mas gritar aos quatro cantos suas lutas, porém sempre fazer valer e ter em mente a historia de personalidades como ZUMBI que lutaram pela defesa do pais contra as Inquisições, as Explorações (exteriores e internas) no sentido comercial e sexual de empresários e religiosos, praticas que ainda permanecem em nossa sociedade principalmente atrás dos muros das grandes casas onde trabalham as negrinhas, as índias entre outras.
Lembrando que Uberlândia deixou de ser uma cidade de apenas vinte ruas e dominada por coronéis e pela fé, mesmo que alguns ainda crêem e insistam nisto.
Sem desmerecer ou desrespeitar a ninguém, mas poucos são os que têm moral, para falarem ou tecerem comentários sobre o ESTATUTO DA PROMOÇÃO DA IGUALDADE, O FERIADO DE 20 DE NOVEMBRO REFERENCIANDO ZUMBI DOS PALMARES E A LEI 10.639 a qual com justiça vem exigir o registro da valorização das contribuições dos negros para com a Nação e com a Fé. Fé esta que sempre reforçou o estereótipo do tronco como forma de purificação do negro pelo mesmo não possuir alma e tinham que ser chicoteados para acalmar. Fé está que abençoou o entrelaço entre Estrangeiros e Índias, portanto vai na Fé!!!!!!!!?????.
Pois bem esta gente pobre, parda e preta é a maioria nas favelas e também nas urnas, ah também são a maioria na fé seja em qual for.
No entanto, para que estudar a historia da África, ou resgatar e estudar a Historia dos Negros na terra Brasil, que bobagem né?
Pois saiba que herói de preto é preto, e os heróis negros não são lembrados porque seus pares não sabem da sua historia, pois o moleque preto tem como referencia os pretos que matam e roubam, quando eles crescerem, podem não viver muito, mas vão te matar, e certamente serão punidos, porém os brancos que roubam por meio da caneta estão na política, no judiciário e nas repartições publicas para que possam encobrir e esconder as falcatruas que cometem e se defendendo uns aos outros.
Portanto as evidencias e o estudo da historia dos primórdios europeu e sua construção não é e nunca será mais importante do que o conhecimento da HISTORIA, CIÊNCIA, FILOSOFIA, ARQUITETURA, CULTURA, CIVILAZÇÃO E TRADIÇÕES dos costumes africanos que são o molde da contemporaneidade e que se estende por este século XXI juntando-se ainda a Historia de ZUMBI dos PALMARES figura lendária que deixou seu legado de luta e resistência dentro da Historia dos Negros no Brasil. Por fim que todos os Negros e negras compreendam que não cabe mais ataques e acusações sem sentido, temos que nos fortalecer e seguir lutando na exigência do cumprimento de qualquer forma aos nossos direitos e ficarmos atentos aos aproveitadores e ás manobras para nos quebrar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O ELO QUE DIFERENCIA E SEPARA

Algumas localidades desprovidas de atenção básica relacionadas aos bens mínimos de condição para a sobrevivência e habitação humana fazem com que seu habitantes sempre sofram algum tipo de discriminação, descaso e desrespeito. Mas qual a questão desta variante, pois vários são os conceitos que relatam sobre a temática relacionada ás localidades onde as pessoas sobrevivem de forma desumana devido ao descaso do poder publico em propiciá-las o acesso á oportunidade de exercerem sua cidadania, pois tais considerações já foram abordagens e muito bem definidas pelo saudoso Professor Milton Santos nas suas teses e dissertações sobre as diversas formas de preconceito, dominação e discriminação pelo território quanto pelo capital.
Porém a Carência pode ser referendada em vários e diversos sentidos, mas o sentido mais amplo da palavra e que afeta a todos é a FALTA, ou seja, a Ausência onde podemos divagar n motivos, mas não podemos ignorar que esta Carência deriva da falta ou ausência de uma Ação a qual vem a ser determinada por uma condição que em muitas das vezes se origina na exclusão.
Agora resta detectar qual é esta condição, se é que basicamente já sabemos, e dentro de uma análise de uma conjuntura desfavorável advindas da carência de ação, devemos estabelecer um entendimento satisfatório de tal adversidade para que esta venha a ser uma ação passível de exercício de qualquer pessoa, e que venha a ser algo de suma importância e inerente à condição de cidadão e cidadã onde devemos compreender o que condiciona determina situação para a partir desta consciência agir na nossa realidade e provocar com isto transformações e profundas mudanças no mundo, porém para isto é preciso que estejamos munidos de informação.
Ao ser entrevistado no programa Roda Viva, o Professor Milton Santos diz que:
“Em A natureza do espaço falo um pouco sobre essa idéia. As classes médias são confortáveis de um modo geral. O conforto cria dificuldades na visão do futuro. O conforto quer estender o presente que está simpático. O conforto, como a memória, é inimigo da descoberta. No caso do Brasil isso é mais grave, porque esse conforto veio com a difusão do consumo. O consumo é ele próprio um emoliente, Ele amolece. Os pobres, sobretudo os pobres urbanos, não têm o emprego, mas têm o trabalho, que é o resultado de uma descoberta cotidiana. Esse trabalho raramente é bem pago, enquanto o mundo dos objetos se amplia. Fui buscar esse conceito em Sartre, quando ele fala da escassez que joga uma pessoa contra a outra na disputa pelo que é limitado. Essa experiência da escassez é que faz a ponte entre a necessidade e o entendimento. Como a escassez sempre vai mudando, devido a aceleração contemporânea, o pobre acaba descobrindo que não vai nunca morar na Ipanema da novela, que jamais vai alcançar aquelas coisas bonitas que vê. Ele continua vendo, mas está seguro hoje de que não as alcançará. Gostaria de dizer que a classe média já começa a conhecer a experiência da escassez. E isso pode ser bom. Como a classe média, na sua formação, tem uma capacidade de codificação maior, isso vai nos levar a uma precipitação do movimento social, da produção da consciência, ainda que seja de uma maneira incompleta........... No Brasil, a expansão do consumo veio com o regime autoritário e continua com a democracia de mercado. Por conseguinte, essa expansão do consumo junto a essas duas estruturas de controle faz com que a opinião pública seja amortecida. Há muito mais espaço para o consumidor, esse espaço legitimado agora com o código do consumidor, e nada para o cidadão. Dessa forma, torna-se mais fácil aceitar um mundo onde são as coisas que comandam, e não os valores.”
Podemos assim perceber que mazelas que atingem e se apresentam a determinados setores de pessoas da sociedade faz com que as mesmas se organizem e pela condição similar a qual estas se ligam faz com este coletivo se una e fortaleça perante sua busca, onde tal ligação deriva da peculiaridade dos problemas os quais estes pares estão sendo afetados. Então os indivíduos buscam através desta ligação estabelecerem uma identificação, ou seja, construir uma identidade que permiti nos reconhecermos onde quer que estejamos para assim estabelecermos formas e normas de reverter a condição precária que encontramos, e mais do que isto ate fazer com que nós enquanto seres nos lembremos sempre que fazemos parte de um contexto e que tudo que ocorre neste depende da consciência que este tem da realidade a qual esta inserido ou mesmo não se esquecer das suas origens, isto permite nos reconhecermos enquanto sujeito de ação. Portanto Comunidade Carente ou de Vulnerabilidade Social pode ser entendida também como um local onde a escassez é o elo que diferencia e separa a necessidade do entendimento e dá compreensão e isto faz toda a diferença no agir.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

NUNCA EXPERIMENTE O CRACK E NEM DROGA NENHUMA.

A matéria abaixo nos traz uma reflexão acerca do Crack, mas pode ser entendida como uma condição do estagio ao qual chegou às drogas em nosso país. Podemos compreender, se bem já não é mistério para ninguém a não ser para os políticos e alguns agentes de saúde, que as Drogas estão no estagio de CALAMIDADE PUBLICA e a muito tempo e que a mesma trata-se de uma condicionante da QUESTÃO DE SAÚDE PUBLICA (no sentido social, familiar e ate mesmo particular consigo mesmo do individuo), interface esta que não vem sendo debatida e trata com responsabilidade por muitos agentes que lidam com a saúde, e mais ainda a responsabilidade não é somente dos órgãos de saúde mas conjuntamente de outros setores da administração publica, setores estes que devido as ingerências não vem cumprindo com seu dever referente a questão. Além do mais fica claro que no estagio atual as DROGAS não é caso só de Policia, mas principalmente caso de Políticas Publicas de Saúde, de atenção Social, de Prevenção da Segurança entre outros.
Porém tomo a liberdade de chamar a atenção dos nobres colegas Professores e Professoras de Educação Física para a questão relacionada às DROGAS principalmente pelo o fato de estarão relacionadas diretamente ao esporte, a atividade física, a busca pelo condicionamento físico e qualidade de vida também. Pois devemos também não só debatermos como fazem, mas utilizarmos da nossa prerrogativa de agir(pois nossa atividade gira em torno da concepção de corpo a partir dos gestos e movimentos influenciados pela tríade físico/psico/mente em relação á percepção da realidade), que nos é inerente e ainda desmistificar a relação do efeito DORGAS x ANABOLIZANTES no condicionamento e aptidão física, onde percebemos alguns equívocos pela onda de testes que estão flagrando os desportistas e ocupar o nosso espaço mediante a questão a qual estamos diretamente ligados devido a nossa atuação e intervenção junto ao individuo.
Pois o CONDICIONAMENTO FÍSICO/PSICO/MENTAL, ATIVIDADE FISICA, ESPORTE, LAZER E QUALIDADE DE VIDA TAMBÉM SÃO UMA QUESTÃO DE SAÚDE PUBLICA. Questões estas que PREVINE E INTERVEM EM VARIAS VERTENTES as quais condicionam a determinadas MAZELAS SOCIAIS.



Alesandro Damas
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“Nunca experimente o crack”...
Por Rosilene Miliotti

O Ministério da Saúde lançou, essa semana, a Campanha Nacional de Alerta e Prevenção do Uso de Crack, uma iniciativa inédita para prevenir o consumo da droga, que é derivada da cocaína e possui alto grau de dependência. O slogan da campanha é “Nunca experimente o crack”. O objetivo é ajudar na prevenção ao consumo, colocar o tema em debate e chamar a atenção para os riscos e conseqüências da droga.
A campanha seguirá até dia 31 de janeiro e tem como público alvo jovens de 15 a 29 anos, de todas as classes sociais. O alerta também servirá para pais, educadores e formadores de opinião. Um dos dois filmes da campanha para a TV conta a história de um rapaz que rouba a própria família para consumir crack. Os filmes serão exibidos em rede nacional e em 14 emissoras regionais.
Nas rádios, a campanha terá um jingle de 60 segundos em formato de rap sobre os perigos do crack, e ainda um spot de 30 segundos, repetindo a intervenção “Desculpe interromper, mas este assunto não pode esperar”. Além dessas peças publicitárias, a segunda etapa contará com uma página na internet com informações sobre a droga. O Ministério da Saúde também disponibilizará um link sobre o tema no Portal da Saúde.

Cartaz de divulgação da campanha "Nunca experimente o crack"
Para complementar a campanha haverá material informativo sobre as opções de tratamento oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) e o Disque Saúde (0800 61 1997), com ramal exclusivo para informações sobre o crack e orientações para tratamento dos usuários na rede do SUS, com profissionais especialmente treinados. Além disso, o Ministério prevê um investimento maior nas formas de atendimento alternativas, como os Consultórios de Rua, que são unidades formadas por uma equipe de psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais para atender principalmente aqueles que não costumam freqüentar os serviços de saúde. Ou ainda os Núcleos de Apoio à Saúde da Família que contam com o serviço de profissionais variados. Atualmente, 739 Núcleos estão implantados no país, com 1.344 profissionais entre assistentes sociais, psicólogos, médicos psiquiatras e terapeutas ocupacionais.O psicólogo e pesquisador da vertente de Direitos Humanos do Observatório de Favelas, Rodrigo Nascimento, afirma que as campanhas de prevenção com divulgação massiva de informações acerca do risco e poder de sedução e dependência do crack são importantes e urgentes. Entretanto, o que mais lhe chamou a atenção dentre as ações desenvolvidas foi o consultório de rua.
“Essa iniciativa tem o potencial de acolher uma parcela da população que é estigmatizada e, por conta disso, muitas vezes, não se sente à vontade ou vivencia uma série de dificuldades para acessar os equipamentos públicos de saúde disponíveis... Penso inclusive que tal ação poderia ser pensada como uma estratégia interessante para acessar os usuários e dependentes que fazem uso continuado da droga no interior das favelas ou das chamadas cracolândias existentes nos grandes centros urbanos do país”, propõe Rodrigo.Sobre o crackA droga é derivada das sobras do refino da cocaína. Nenhuma outra substância ilícita vendida no país tem semelhante poder de dependência. Apesar de ser menos consumida que outras substâncias, como álcool, tabaco, maconha e cocaína, os danos causados por ela são tão graves que produzem a impressão de que o número de usuários é muito maior. O crack surgiu nos Estados Unidos na década de 1980. O primeiro relato de uso no Brasil data de 1989. Desde então, o consumo da substância vem crescendo, principalmente nos últimos cinco anos. Um dos motivos é que o território brasileiro serve de rota para o tráfico internacional.
Segundo o
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), em pesquisa divulgada em 2005 (a mais rescente), 0,1% da população consome a droga. O Ministério da Saúde financia uma pesquisa inédita que vai mapear o perfil dos usuários de crack no Rio de Janeiro, em Macaé e em Salvador. Outro estudo vai avaliar as intervenções de tratamento de usuários de álcool e drogas no SUS, especialmente nos Consultórios de Rua (em 14 municípios).

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PROJETO PREVÊ SUSPENSÃO DE AÇÕES NA SAÚDE.

13/01/2010 09:00
Projeto Suspende Ações do Governo Voltadas a Usuários de Drogas.


J. Batista Rodovalho: portaria do Ministério da Saúde é permissiva em relação ao consumo de drogas.


Tramita na Câmara o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1735/09, dos deputados Rodovalho (DEM-DF) e Miguel Martini (PHS-MG), que suspende a portaria do Ministério da Saúde (1.028/05) que prevê ações para reduzir a transmissão de doenças e do vírus da AIDS entre usuários de drogas. Os deputados consideram que as ações previstas na portaria, como a distribuição de agulhas e seringas, podem estimular o uso de drogas no País.
A portaria determina ações de informação, de aconselhamento e de atendimento no sistema de saúde para dependentes de drogas e álcool, além da distribuição de materiais de prevenção ao contágio pelas hepatites B e C e pelo vírus HIV, como agulhas e seringas para uso individual pelos usuários de drogas injetáveis. O documento prevê ainda a não interferência do governo no consumo de drogas por dependentes que não podem, não conseguem ou não querem interromper o uso.
"Como pode uma autoridade pública não intervir necessariamente na perspectiva de controlar e coibir a oferta e o consumo de drogas?", questiona Rodovalho. "Com a justificativa de controlar a AIDS, a portaria ministerial ou propõe ser omissa ou permissiva em relação ao consumo de drogas."
Os deputados argumentam que a portaria, por prever ações educativas, também pode alcançar crianças e adolescentes que não tiveram contato com drogas.
TramitaçãoO projeto será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania , antes de ser votado pelo Plenário.

Íntegra da proposta:
Proposição:
PDC-1735/2009
Autor: Rodovalho - DEM/DF
Data de Apresentação: 12/08/2009 Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Regime de tramitação: Ordinária Situação: CSSF: Aguardando Parecer.
Ementa: Susta os efeitos da Portaria/GM nº 1.028, 1º de julho de 2005, do Ministro de Estado da Saúde, que "determina que as ações que visam à redução de danos sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, sejam reguladas por esta Portaria. "
Indexação: Sustação, Portaria, Ministério da Saúde, normas, redução, danos, saúde, utilização, produto químico, dependência química.
Despacho: 19/8/2009 - Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (Mérito e Art. 54, RICD) Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Regime de Tramitação: Ordinária LEGISLAÇÃO CITADA
Última Ação:19/8/2009: Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA) - Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (Mérito e Art. 54, RICD) Proposição Sujeita à
Apreciação do Plenário Regime de Tramitação: Sessão Ordinária
3/9/2009: Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) - Designado Relator, Dep. Eleuses Paiva (DEM-SP).



Reportagem - Noéli Nobre Edição - Pierre Triboli
http://www2. camara.gov. br/agencia/ noticias/ 144620.html





Alesxandro Damas Francisco
adafx1@yahoo. com.br
34-9126-5604

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Atividade Física x H1N1

Atividade Física x H1N1
O vírus da gripe suína já está circulando no país. Não valem mais medidas de quarentena impostas aos suspeitos de tê-la contraído em países de grande prevalência da doença.
O mais importante agora é esclarecer toda a população e adotar medidas efetivas de prevenção e de orientação terapêutica para minimizar os sintomas.
O agente viral dessa influenza tem caráter pandêmico, com alta contagiosidade.
Essa gripe causa doença mais grave em imunocomprometidos, como portadores de doenças neoplásicas, obesidade mórbida, cardiopatas, dependentes químicos e gestantes.
O não contato anterior do ser humano com esse agente dificulta a feitura do molde de anticorpo, que permitiria sua rápida eliminação.
Pessoas imunocompetentes como os atletas têm plenas condições de defesa contra a doença e, se adquirida, terá sintomas mínimos.
Entretanto, convém não descuidar de uma alimentação saudável com ingestão de frutas e verduras que contêm todos os microelementos para a formação de anticorpos.
Boa hidratação, convivência em ambientes não poluidos e de pouca aglomeração e higiene fazem parte da prevenção.
A prática regular de atividade física sempre foi considerada benéfica para a saúde e é fato inequívoco que os atletas têm grande resistência às infecções respiratórias, como é o caso da gripe suína.
Portanto, nesta epidemia, mais do que nunca devem ser reforçados os conceitos de práticas saudáveis.

Dr. Ruggero Bernardo Guidugli

quarta-feira, 1 de julho de 2009


AS COTAS PARA NEGROS

William Douglas, juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em
Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor, caucasiano e de olhos azuis.


Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que "antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia". Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.

Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.
Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.
Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.
Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, "guru dos concursos" e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é aquele que me convenceu a trocar de lado: "passar um dia na cadeia". Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.
Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular "para negros", aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.
Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de "chão de fábrica", fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil. Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.
Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.
Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.
Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.
Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários "dias na cadeia". Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.
Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem faze-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia "na cadeia". Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.
Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa "passar um dia na cadeia" antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.
Ah, sim, "os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível", conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.
Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus co-irmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.
Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco "na cadeia". Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.
Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano "na cadeia" com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.
E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum, pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.
Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, "O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor."
Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PACOTÃO

05/06 - Minas ganha Centro Integrado de Atendimento à Mulher Vítima de Violência


Minas Gerais é o primeiro estado do Brasil a ter um Centro Integrado de Atendimento à Mulher Vítima da Violência Doméstica e Familiar (CIM). O serviço oferece, em um só lugar, exames de corpo delito, atendimento psicológico e uma delegacia especializada para mulheres, que vai funcionar 24 horas por dia. O CIM vai funcionar na Avenida Olegário Maciel, 600 e é resultado de uma parceria entre o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), as Secretarias de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e Defesa Social (Seds), Ministério Público, Defensoria Pública e a Polícia Civil e Militar.O objetivo do CIM é dar efetividade às determinações da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) e, com isso, resguardar a mulher de toda forma de negligência, exploração, crueldade, violência e opressão. Durante a inauguração do CIM, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, destacou o esforço do Governo de Minas na implantação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. “Por trás de cada inauguração como esta, existe a luta de milhares de mulheres do nosso país. Muitas, mortas pelos maridos, companheiros ou namorados”, lembrou a ministra. A ministra falou que recebeu das mãos da coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, Virgília Rosa, uma série de projetos a serem implantados no Estado. “Dentre esses projetos, destaco a criação de mais centros (CIM) em Montes Claros, Divinópolis, Governador Valadares, Pouso Alegre, Uberaba e Uberlândia”, disse Virgília, ressaltando o apoio sistemático do TJMG.
Para a desembargadora do TJMG, Teresa Cristina da Cunha Peixoto, o CIM vai facilitar, entre outras coisas, a produção de provas. “Além do atendimento integral, haverá o atendimento interinstitucional. Acho que o grande diferencial do CIM é o posto do IML, para que as perícias sejam feitas no mesmo local. E isso é muito importante na questão da provas, que muitas vezes se perdem”, ressaltou. Conforme o art. 5º da Lei Maria da Penha, violência contra mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.
Como proceder em caso de violência doméstica
Ao sofrer qualquer tipo de ameaça ou agressão, a mulher deve procurar o CIM:
- Acionar a Polícia Militar, que registrará um Boletim de Ocorrência.
-Será instaurado um inquérito policial com todas as provas necessárias ao esclarecimento do fato, como depoimentos da vítima, do agressor e de testemunhas. Se necessário, será realizado exame de corpo de delito.
- O inquérito será remetido ao Ministério Público, que irá requerer ao juiz, em 24 horas, a concessão de medidas protetivas de urgência e a prisão preventiva.
- O juiz poderá conceder as medidas protetivas, cabendo a ele ainda julgar as causas criminais e cíveis de interesse da vítima, tanto pelas formas de violência que sofrer ou, ainda, para que a vítima seja recompensada, em dinheiro ou bens materiais pelos danos que sofrer.
Medidas de proteção
Pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), os juízes podem determinar a execução de medidas protetivas de urgência para não só assegurar o direito da vítima, mas a sua proteção e de sua família. São medidas protetivas:
a) o afastamento do agressor do lar ou local de convivência com a vítima;
b) proibição do agressor de se aproximar da vítima;
c) proibição do agressor de contactar-se com a vítima, seus familiares e testemunhas por qualquer meio;d) obrigação do agressor de dar pensão alimentícia provisional ou alimentos provisórios;e) proteção do patrimônio, através de medidas como bloqueio de contas, indisposição de bens, restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor, prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica.Lei Maria da Penha
A Lei proíbe a aplicação de pena pecuniária, a exemplo de multas e cestas básicas.
Não permite a entrega da intimação ao agressor pela mulher.
Determina que a mulher seja notificada de todos os atos processuais, principalmente quando o agressor for preso e quando sair da prisão.
Determina a possibilidade de prisão em flagrante do agressor.
Possibilita a prisão preventiva.
Aumenta em um terço a pena dos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher portadora de deficiência.
Prevê atendimento por equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, assistente social, que desenvolvem trabalho de orientação, encaminhamento, prevenção e outras medidas voltadas para a vítima e seus familiares. Este atendimento será feito pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Mulheres do Estado.

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Contradições podem identificar casos de crianças agredidas.

No Dia internacional de Crianças Vítimas de Agressão, 4 de junho, médicos relatam sua experiência nestes casos e alertam sobre como identificá-los
Quedas de escada, da cama, histórias mal explicadas e contraditórias. Muitas vezes, relatos assim despertam uma suspeita. São casos de crianças vítimas de agressão, principalmente dentro de sua própria casa. A agressão às crianças e adolescentes foi o tema de uma coletiva conjunta
Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) na tarde desta quinta-feira (04/06).
“Já vi de tudo em 22 anos de profissão”, conta a assistente social do HJXXIII, Cláudia Carvalho. “Infelizmente, 90% destes casos acontecem dentro de casa, com as pessoas que a criança acredita que deveriam estar protegendo-a”. A assistente social percebe que os casos vêm aumentando muito nos últimos quatro anos, por causa de denúncias, abrangendo todos os tipos de agressão: negligência, agressão física e abuso sexual. “Geralmente, os pais chegam contando que a criança caiu da cama. Ao examiná-la, o médico desconfia, por causa das lesões que não conferem com o relato, e, às vezes, em locais completamente opostos: fronte do lado direito e braço esquerdo, por exemplo”. Neste momento, o pediatra aciona o Serviço Social, que começa a apurar fatos e comportamentos que podem confirmar a suspeita de uma agressão.
Cláudia diz que o próprio comportamento da criança significa muito: “são crianças introvertidas, acuadas, com dificuldade de se socializar e, muitas vezes, isto até contribui para um atraso escolar”. As contradições começam a aparecer também entre os relatos dos familiares e da própria criança. E o carinho demonstrado na frente dos profissionais não consegue ser disfarçado pela vítima: “a gente percebe que, quando o agressor se aproxima, ela se retrai, fica com expressão de medo”.
Neste momento, também é importante o papel dos psicólogos, que oferecem todo o suporte técnico necessário, e dos auxiliares de enfermagem, que passam mais tempo ao lado dos pacientes e de seus acompanhantes e, portanto, podem contribuir na apuração dos fatos. Suspeitas indicam notificação compulsória. Os casos são notificados ao Conselho Tutelar, que faz uma visita domiciliar e retorna seu parecer ao Serviço Social. A partir de novas informações agravantes, o caso é encaminhado à Delegacia de Infância e Juventude, que pede o laudo do Instituto Médico Legal – IML.
“O Hospital João XXIII tem uma maneira especial de abordar os casos suspeitos, com uma equipe multidisciplinar. São médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros que tem experiência para identificar os casos, mesmo diante da negativa dos pais ou responsáveis. Esses mesmos profissionais tomam as providências necessárias para proteger essas crianças, avisando o Conselho Tutelar”, resume o diretor do Hospital João XXIII, Antônio Carlos de Barros Martins. Segundo ele, a média é de pelo menos uma criança por dia seja atendida na urgência com suspeitas de agressão. “O aumento das denúncias traz benefícios, acredito que só assim podemos causar algum temor nos agressores”.
O que chega ao hospital é uma amostra do que acontece
A pediatra Marislaine Lumena de Mendonça, do Hospital João XXIII, confirma que os casos são freqüentes: “temos uma amostra do que realmente está acontecendo, muitos casos não são nem levados ao hospital; isso sem falar nas agressões psicológicas, que também podem deixar marcas difíceis de apagar”.
Lumena cita exemplos, como casos de Síndrome de Münchausen, na qual a própria mãe, ou pai, simulam ou criam a doença no filho, usando medicamentos e outros artifícios, como colocar sangue na urina. Recentemente, uma criança foi atendida com marcas de correia nas costas. “A mãe quase o matou porque ele pegou um trocado escondido para comprar picolé. Na verdade, ela estava descontando nele toda uma situação que ela estava vivendo”. Numa outra ocasião, um bebê recém-nascido foi queimado com ferro de passar roupas. A mãe estaria surtada, com psicose pós-parto. “Muitas vezes, não só a vítima precisa ser tratada, mas também seu agressor”.
O pediatra Sérgio Guerra relaciona também alguns casos de agressão física, negligência ou maus-tratos. “Temos bebês com fraturas de costelas, o que levanta a suspeita de que sejam vítimas. Geralmente, essas crianças apresentam um conjunto de situações que precisam ser analisadas”. Marcas e imagens que não podem ser apagadas
O atendimento a uma criança agredida não termina com a alta do hospital. “Uma agressão na infância pode marcar toda a vida de uma pessoa. Não tem como apagar imagens, mas tem como fazer ela retomar a sua afetividade de uma forma saudável”, explica o hebeatra Fernando Libânio, coordenador da Casa da Criança e do Adolescente do Hospital Júlia Kubitschek.
Depois dos primeiros atendimentos, a criança é encaminhada à Casa, para acompanhamento clínico e psicológico. Uma equipe multiprofissional entra em cena, com médicos, assistentes sociais e psicólogos, que atuam em conjunto para reestabelecer a saúde física e mental destes pequenos pacientes. Na Casa da Criança e do Adolescente do HJK, no ano passado, foram atendidos 18 pacientes. Este ano, somente de janeiro a maio, foram 21 pacientes. São vítimas principalmente de abuso sexual, que se completa com a agressão física e psicológica. Estas crianças e adolescentes são encaminhados pelo Conselho Tutelar, pelas escolas e pelo próprio hospital, através do serviço de ginecologia. Alguns casos procuram ajuda espontaneamente.
Denúncias levam à reflexão
A coordenadora especial de Políticas Pró-Criança e Adolescente da Sedese, Fernanda Flaviana de Souza Martins, lembrou que o número crescente de denúncias por meio do Disque Direitos Humanos ((0800 31 1119), do Governo de Minas, deve continuar no próximo ano, mas a tendência é de que isso se reverta numa atitude de reflexão dentro da própria sociedade, diminuindo a ocorrência dos casos. “A denúncia é uma forma de coibir, de fazer a sociedade participar deste processo. Mas queremos que isto se torne também uma oportunidade de reflexão, para proteger as nossas crianças de uma forma definitiva”. A coordenadora ainda acrescentou que o papel da família deve ser fortalecido: “Temos que apostar mais nas famílias, fazer com que elas percebam sua função fundamental no desenvolvimento físico, psíquico e social de suas crianças”.Disque Direitos Humanos
Os mineiros têm um importante instrumento nas mãos para denunciar todos os tipos de violência contra as crianças: o Disque Direitos Humanos (0800 31 1119) da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). O Governo de Minas oferece o serviço que é gratuito e sigiloso. As denúncias de violência doméstica contra crianças e adolescentes lideram o ranking de ligações do Disque. Por isso, uma das etapas da Campanha Proteja Nossas Crianças teve como foco a violência doméstica. Em um ano de campanha (de maio 2008 a abril de 2009), o serviço recebeu 1.177 denúncias de violência doméstica, o que representa 90% a mais do computado no período anterior ao início da campanha (maio de 2007 a abril de 2008). Só nos cinco primeiros meses deste ano, foram feitas 446 denúncias desse tipo de crime.
A Campanha Proteja Nossas Crianças é a uma das maiores mobilizações já realizadas no país de combate à violência doméstica e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Envolve toda a sociedade civil e incentiva a população mineira a denunciar casos de violência. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas).
No dia 14 de maio, o governador Aécio Neves divulgou balanço do primeiro ano da campanha e anunciou ações para reforçar a iniciativa. Foram entregues 30 carros e 250 computadores para reforçar o atendimento dos conselhos tutelares de 250 municípios mineiros, órgãos responsáveis por receber as denúncias e fiscalizar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes.


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Aconteceu - 03/06/2009 23h05
Estado deve ser punido por caos nos presídios, dizem especialistas.
Diogo Xavier

Presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos, André Castro pediu a ampliação do alcance da Defensoria no País.
Em seminário da Comissão de Direitos Humanos, debatedores apontam excesso de presos provisórios e falta de garantia de julgamento justo para os réus.
A responsabilização das autoridades do Executivo e do Judiciário e o bloqueio de repasses aos estados que não respeitarem os direitos humanos nos presídios foram algumas das sugestões apresentadas pelos participantes do seminário "Sistema Carcerário Brasileiro", promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias nesta quarta-feira. Num País em que, dos 450 mil presos, 43% ainda são provisórios, os participantes destacaram a importância de tornar efetiva a presença da assistência judiciária.
De acordo com o representante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Erivaldo Ribeiro dos Santos, 43% é uma média nacional, mas em alguns estados chega a 80% a proporção de pessoas não condenadas presas por decisão cautelar judiciária. Ele afirmou que essa medida, que deveria ser temporária, chega a se estender por até oito anos. Há casos, acrescentou de pessoas que ficam até dois anos presas sem sequer serem denunciadas, porque o inquérito policial ainda não foi concluído. "Somos muito eficientes em prender, como se isso garantisse segurança pública, mas não em julgar", disse.
O coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da
Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Leonardo Guia, afirmou que falta critério aos juízes na concessão de prisão cautelar. Ele destacou que muitas vezes, até em casos de tentativa de furto, a decisão é um mero capricho do juiz, que não acredita que o preso vá voltar para a audiência e o mantém preso até lá. Guia disse ainda que, no caso de penas de três ou quatro meses, é comum a pessoa ficar muito mais tempo presa.
Estado acusador
O presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos, André Luiz Machado de Castro, declarou que o Brasil é um Estado acusador. Em todas as comarcas há um juiz e um integrante do
Ministério Público que, no processo criminal, é o acusador. Porém, não há defensores públicos para garantir o direito do réu a um julgamento justo, uma pena menor ou direitos de progressão na prisão.
Ele disse que, de acordo com levantamento do Ministério da Justiça, nos estados onde existe, a Defensoria só atua em 40% das comarcas, em média. Em alguns estados, como no Rio, o atendimento chega a quase 100%, mas, em São Paulo, só atinge 7%.Os defensores pediram que se façam gestões para a criação das defensorias em Santa Catarina e Paraná, estados onde ela ainda nem existe. Eles informaram que Goiás já anunciou a criação de uma comissão para organizar o primeiro concurso público para defensores.Execução penalLeonardo Guia propôs que seja restabelecido o texto original da MP 416/08, que alterou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (
Pronasci) e foi aprovada pela Câmara em abril de 2008 na forma de um projeto de lei de conversão. A medida estabelecia como condição para adesão ao Pronasci e recebimento dos recursos do programa a criação e instalação das Defensorias Públicas com núcleo para o acompanhamento da execução penal.O relator da CPI do Sistema Carcerário, deputado Domingos Dutra (PT-MA), afirmou que, além da falta de defensores, os presídios também sofrem com a omissão dos juízes de Execução Penal e promotores públicos, que não cumprem sua obrigação de ir aos presídios e verificar a situação dos presos e dar andamento aos processos.
Essas duas frentes de atuação poderiam aliviar parte da superlotação, responsável em grande parte pela pressão que faz com que os presídios explodam em ondas de violência. Aliadas a isso, as péssimas condições de vida e a falta do direito ao trabalho ou ao estudo fazem com que Dutra classifique o sistema como "um inferno".
A deputada Cida Diogo (PT-RJ) sugeriu que a comissão verifique como se pode responsabilizar as autoridades administrativas e judiciárias. Ela afirmou que a situação não vai mudar enquanto os governantes não se tornarem inelegíveis ou os servidores, inabilitados a ocupar cargo público.Espírito SantoO padre Saverio Paolillo (Padre Xavier), da Pastoral Carcerária do Espírito Santo, apresentou o quadro "dantesco" vivido hoje pelo sistema carcerário do estado. Superlotação, péssimas condições estruturais, com presos morando em contêineres de metal em condições subumanas, e transferências que misturam no mesmo prédio grupos rivais têm provocado guerras. O religioso mostrou fotografias de corpos esquartejados e até de pessoas desossadas, corpos espalhados por sacolas de lixo e cabeças espalhadas nos pátios, entre outras.
O CNJ, o Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e parlamentares foram unânimes em acusar o governo estadual pela situação. A deputada Iriny Lopes (PT-ES) ressaltou que nada disso teria sido necessário se, em 2005, quando presidia a Comissão de Direitos Humanos, as autoridades tivessem tomado providências para melhorar as condições de vida dos presos. Ela afirmou que os deputados que visitaram o estado avisaram que a situação iria explodir, mas nada foi feito. Iriny disse ainda que hoje em dia é impedida de entrar nas prisões do estado, assim como a imprensa. Em muitas delas, afirmou Padre Xavier, nem a visita religiosa é permitida.
O governo do estado anunciou que vai aumentar em cinco mil o número de vagas, que deverão receber a realocação da população atual e os novos presos até 2009. "Não é um perigoso precedente conceder a instituições públicas prazo para obedecer a lei e respeitar os direitos humanos?", questionou o padre.

Continua:Dutra afirma que sociedade ganha com defesa dos presos
Reportagem - Vania AlvesEdição - Marcos Rossi(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')Agência CâmaraTel. (61) 3216.1851/3216.1852Fax. (61) 3216.1856E-mail:agencia@camara.gov.br

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Aconteceu - 03/06/2009 23h04
Dutra afirma que sociedade ganha com defesa dos presos
Diogo Xavier
Domingos Dutra ressaltou que não há política de ressocialização dos presos, que viram "feras".

O deputado Domingos Dutra (PT-MA) afirmou que é importante que a sociedade apoie a luta pelo respeito aos direitos dos presos, porque essa é a única possibilidade de haver segurança pública. Em sua avaliação, da forma como são tratados os presos brasileiros, eles só podem sair piores do que entraram, e aí a sociedade tem de conviver com verdadeiras "feras".
O parlamentar disse que o Estado se retirou das prisões e que o crime organizado tomou conta delas. "Da forma como são tratados hoje, cada um é um soldado do crime organizado, porque não há política de ressocialização", destacou.
Segundo Dutra, a CPI constatou situações absolutamente desumanas. "Os presídios brasileiros são mais infernais que os campos de concentração do nazismo."
O estado do Espírito Santo é um dos que mais gasta na construção e manutenção de presídios e aumenta a população carcerária em cerca de mil homens por ano. Porém, afirmam tanto a deputada Iriny Lopes (PT-ES) quanto o padre Saverio Paolillo (Padre Xavier), da Pastoral Carcerária do Espírito Santo, a violência é crescente no estado.
ProtocoloDurante o seminário "Sistema Carcerário Brasileiro", promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias nesta quarta-feira, também foi lembrado que é preciso fazer com que seja cumprido o Protocolo Facultativo à Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes. O Brasil assinou o documento de 2002, mas ainda não instituiu o mecanismo preventivo nacional, que seria um grupo com a função de monitoramento periódico de todos os locais de privação de liberdade do País, sendo formado por representantes do governo e da sociedade, com autonomia orçamentária e política.

Reportagem - Vania AlvesEdição - Marcos Rossi(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')Agência CâmaraTel. (61) 3216.1851/3216.1852Fax. (61) 3216.1856E-mail:agencia@camara.gov.br











quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pauta - 01/06/2009 20h35
Comissão de Direitos Humanos vai verificar situação de presídios

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias vai visitar cadeias e presídios que foram alvos de denúncias da extinta CPI do Sistema Carcerário. A iniciativa de formar caravanas de deputados partiu da subcomissão especial que acompanha a situação das prisões brasileiras. A primeira visita será no Espírito Santo, entre os próximos dias 14 e 16. Os parlamentares vão conferir se houve mudança no quadro de superlotação registrado em 2008, quando um mutirão para o cumprimento de mandados de prisão levou a polícia capixaba a colocar presos até em contêineres.
O coordenador da subcomissão, deputado Domingos Dutra (PT-MA) - que foi relator da CPI -, disse que, na ocasião, encontrou um retrato do tratamento desumano. "Há celas de alumínio onde as pessoas ficam como animais em ambiente extremamente quente, no verão, e extremamente frio no inverno. A lei estabelece que deve haver presídios em prédios com toda a estrutura de tijolos e telhas. No contêiner, o preso é um enlatado", afirmou.Nos dias 9 e 10 de julho, os deputados vão visitar o presídio central de Porto Alegre, apontado como a pior unidade do Brasil no relatório da CPI, por causa da superlotação, insalubridade e problemas de arquitetura.
Está programada ainda uma visita às prisões do Pará, onde houve denúncias de maus-tratos e irregularidades com mulheres presas.
Medidas No ano passado, a CPI registrou situações degradantes em presídios de todo o País. O relatório final responsabilizou 31 pessoas, pediu providências a órgãos públicos e sugeriu projetos de lei para reverter a situação.
De acordo com Domingos Dutra, apoiar um sistema carcerário mais humanizado não significa defender a impunidade, mas garantir a ressocialização digna. "Tratar bem os condenados é, primeiro, uma obrigação legal - está na Constituição; em segundo lugar, é fundamental para a segurança, porque se o preso for maltratado ele sairá muito pior do que entrou. A maioria sai como soldado do crime organizado e vai praticar atos piores", argumentou.
Na quarta-feira (3), a Comissão de Direitos Humanos vai promover um seminário sobre o sistema carcerário, em Brasília. O debate reunirá representantes da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do Conselho Nacional de Justiça, da Defensoria Pública e da Pastoral Carcerária.
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Reportagem - José Carlos Oliveira/Rádio CâmaraEdição - João Pitella Junior(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')Agência CâmaraTel. (61) 3216.1851/3216.1852Fax. (61) 3216.1856E-mail:
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Qual o papel da mídia frente à violência nossa de cada dia?

Nossos comportamentos influenciam a mídia, ou o comportamento da mídia é que nos condiciona? Difícil resposta. Contudo, vivemos a banalização da violência, que parece ser o grande produto de marketing de qualquer rede ou canal de comunicação que tenha compromisso apenas com o lucro. E nesse prisma qual o papel que a mídia deveria ter? Ela não poderia ser voltada para a fomentação da cidadania? Pois, se um canal de televisão ou rádio é uma concessão pública, então deveria servir, (pelo menos parte da programação), para informar, mostrar caminhos, serviços, denunciar. Infelizmente não é que vemos.
Estamos no ano em que a própria Igreja Católica colocou como tema da Campanha da Fraternidade: Justiça e Segurança Pública, (sinal de que até para o clero, a insegurança é uma certeza), ao mesmo tempo em que o governo federal através do ministro da justiça Tarso Genro idealizou e organiza a CONSEG - 1ªConferência Nacional de Segurança, (www.conseg.gov.br), evento que visa pensar a segurança no sentido sociológico, macro, e não apenas olhar para o umbigo desse ou daquele órgão do sistema de defesa social. Então inocentemente pensamos “agora é que a mídia vai dar ênfase, divulgar o evento, participar, dar a sua cota de contribuição para tentar minimizar a violência em nosso país”...ledo engano. O que está por trás desse desinteresse? Anúncios de empresas de segurança privada? Manchetes sanguinárias e sensacionalistas que vendem mais do que conferências pontuais? Propagandas de cemitérios, seguros? Qual o valor da imprensa, no que tange a violência?? Qual o valor do valor? É mais importante veicular reportagem ensinando a arrombar um carro, ou como foi planejado um seqüestro, ou esquartejada uma vítima de homicídio do que soltar uma nota divulgando sobre uma conferência de segurança?! Será que esses redatores não andam nas ruas, não sentem, não se comovem?
Achar que só a polícia vai vencer a criminalidade é um erro crucial, pra não dizer pouco inteligente. Temos que ter um mutirão com justiça, polícia, educadores e a imprensa dando o recado genuíno, que a sociedade quer. Caso contrário estaremos fadados aos presídios particulares (e, com direito a pagar IPTU). É o momento de escolha: o sangue, as lágrimas e as dores (gerando lucro para poucos); ou o a sensatez, o debate, a cidadania? O país sem liberdade de expressão é triste, mas, o Brasil sem saber conviver com essa liberdade é pior ainda.



Marcelo Anastácio
Presidente Fundador da USSEP/MG
União dos Servidores da Segurança Pública
www.ussep.org.br


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Lei que garante berçários e creches em presídios é sancionada.
Edson Santos
Presidente Lula cumprimenta a deputada Fátima Pelaes durante a cerimônia de sanção da lei.

Texto aprovado pela Câmara prevê, também, direito das presidiárias a acompanhamento médico no pré-natal e no pós-parto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira a lei resultante do PL 335/95, da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP). Aprovado pela Câmara no último dia 6, o texto garante, às presidiárias grávidas e aos seus filhos recém-nascidos, acompanhamento médico no pré-natal e no pós-parto, além de berçário e creche para filhos de até sete anos. De acordo com o relatório final da CPI do Sistema Carcerário, em 2008 havia 27 mil mulheres presas no Brasil, o que representava 6% da população carcerária da época, de 450 mil pessoas. A CPI concluiu que há 508 presídios com mulheres no País, dos quais 58 são exclusivamente femininos e 450 para ambos os sexos. Nas unidades mistas, há pavilhões e celas adaptados, mas sem diferença real em relação à estrutura destinada aos homens.
Apenas 27,45% dos estabelecimentos têm instalações específicas para gestantes; 19,61% contam com berçários e somente 16,13% mantêm creches. Mesmo assim, há crianças recém-nascidas na maioria dos presídios. E muitas delas, conforme constatou a CPI, vivem em condições subumanas: na Colônia Penal Bom Pastor, em Recife, foi encontrado um bebê de somente 6 dias dormindo no chão, em cela mofada e superlotada.
Em entrevista à Agência Câmara, Fátima Pelaes afirma que a nova lei vai ajudar a humanizar o sistema penitenciário. Segundo ela, o convívio entre mães e filhos, além de dar às crianças o direito ao afeto, contribuirá para o processo de ressocializaçã o das presidiárias.
Agência Câmara - A senhora compareceu à cerimônia de sanção da lei que garante atendimento especializado a grávidas presidiárias e a crianças que nascem em presídios. O presidente fez alguma previsão de quando essas medidas serão implementadas?
Fátima Pelaes - Estavam na cerimônia não apenas o presidente, que fez questão de assinar a lei em um ato público, mas também os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff; de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro; e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. Isso significa que há interesse do governo pelo assunto e vontade política de colocar essas medidas em prática.
Agência Câmara - Então, a senhora acredita que a lei é viável e que as providências serão adotadas?Fátima Pelaes - A implementação já é um problema do Executivo. O nosso papel é fazer leis que garantam os direitos da população excluída. Todas as mulheres têm o direito de ser mães e todas as crianças necessitam de afeto. O que nos interessa é prever em lei a humanização do sistema carcerário, porque no convívio entre mãe e filho é que se estabelecem vínculos de amor, fundamentais ao desenvolvimento saudável e pleno da criança. E isso vai facilitar também a ressocializaçã o das presidiárias. Hoje alguns estados, como o Paraná, já têm berçários e creches em presídios, mas a maioria não tem. Agora que esse atendimento se torna obrigatório, o Poder Público vai ter de buscar recursos para garantir sua eficácia. Nós fizemos a nossa parte.Agência Câmara - Qual é a principal mudança que a lei traz para as presidiárias e o sistema prisional? Fátima Pelaes - O que se busca com o encarceramento é a ressocializaçã o. A pena já é a perda da liberdade, que é terrível. O que se deve garantir é que a pessoa volte diferente para a sociedade. Com essa medida, nós buscamos viabilizar isso pelo menos para as mulheres. A grande mudança é a obrigatoriedade de creche até sete anos, porque ainda dependíamos muito do que cada estado queria fazer. Agora é obrigação, e isso faz toda a diferença.
Agência Câmara - O que significa a sanção desta lei que tramitou por tanto tempo na Câmara?
Fátima Pelaes - É importante e resulta do fato de que agora nós temos a oportunidade de colocar em votação os projeto dos deputados, porque não há mais [nas sessões extraordinárias] o trancamento da pauta por MPs. E representa a possibilidade de discutir o papel do sistema penitenciário, que é a ressocializaçã o. Quando se fala em creche, em berçário para presidiárias, há pessoas que discordam; mas, se o objetivo é trazer essas mulheres de uma outra forma para a sociedade, nós temos de garantir o direito à cidadania onde quer que elas estejam.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

PACOTÃO

SEMINÁRIO DE DUCAÇÃO FÍSICA
Realizou-se na noite do dia 25/05 (segunda feira) no auditório Cicereo Diniz importante evento para os profissionais de Educação Física de Uberlândia que trata do seminário com a da temática "Educação Física e Esporte Escolar: da formação à competição" realizado pelos mandatos do Deputado Federal Gilmar Machado e do Vereador Professor Neivaldo (PT/MG).
Com a realização do evento primou-se por ampliar a interlocução entre o universo das nossas escolas, e os universos do esporte de competição e da educação física. Estimulados pela deliberação do Congresso Anual do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) que elegeu o ano de 2009 como o Ano Nacional da Educação Física Escolar, o conselho com isto pretende discutir o desenvolvimento do ensino da educação física em nossas escolas como um tema amplo e complexo em si mesmo, assim como suas relações derivadas com o esporte de competição, muitas vezes compreendida, de forma equivocada, como única função da educação física escolar. Estiveram presentes no evento vários professores renomados e conceituados da cidade de Uberlândia, onde estabeleceram uma reflexão acerca da Educação Física, convidando as principais autoridades governamentais responsáveis pelo Esporte e pela Educação na cidade, professores de educação física com suas importantes experiências, assim como especialistas e outros profissionais que nas diversas áreas enfrentam cotidianamente os dilemas, obstáculos e os desafios para garantir os direitos básicos de cidadania.
A intervenção da Educação Física junto as classes menos favorecidas sempre foi uma premissa importante como uma forma oportunizar posições na vida, de superar barreiras da ascensão social e de, potencialmente, obter sucesso. Na atualidade, fazer e produzir esporte é gerar mais saúde, mais equilíbrio, e capacitar os cidadãos a agirem construtivamente na sociedade.
Com a realização do Seminário vivenciamos um novo rumo de contribuições para o aprofundamento do diálogo entre os setores responsáveis na sociedade e no governo pelo desenvolvimento da educação física escolar.
Contudo somente por meio do diálogo e do aprofundamento da reflexão poderemos avançar a presente iniciativa e todos os esforços para a sua real concretização.

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CARAVANA DA ANISTIA

Há alguns meses foi lançado pelo Ministério da Justiça em Brasília um pacote de projetos entre eles o CARAVANA DA ANISTIA, segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro devem ser julgados os processos de vários cidadãos perseguidos e torturados pelos militares do regime da época, iniciando-se com o processo de 20 jornalistas que alegam terem sido perseguidos politicamente pelo regime militar entre 1964 e 1988.
Esta comissão recentemente realizou seus trabalhos em Uberlândia, onde foram lembrados vários casos e concedida algumas homenagens juntamente com o julgamento de alguns casos de Anistia visando-se assim contribuir para o resgate, debate e reflexão sobre a história do país.
No entanto como podemos perceber no recorte “A prática da tortura no Brasil sempre foi uma constante, a rigor vindo originada no período colonial, quando os escravizados eram permanentemente castigados pelos seus escravizadores. Tais práticas vieram se atualizando ao longo do século XX, tendo se sofisticado nas ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar, quando às antigas técnicas de tortura (especialmente os espancamentos e à imobilização forçada), foram somados a novos métodos como os dos choques elétricos, o pau-de-arara e os afogamentos. Do mesmo modo, acompanhando a enorme diversidade de nosso país, a tortura muitas vezes é realizada acompanhando variações regionais”.
Tais praticas, atos e ações como estas da Caravana da anistia devem fazer parte dos nossos debates, pois as experiências sofridas pelos cidadãos da época devem ser lembradas para que possamos ter transparência e legitimidade nos julgamentos nos dias de hoje, e não só para conhecimento da historia mas também pela oportunidade de abordar as varias e diversas histórias de luta pela liberdade que devem ser contatada pelos seus empreendedores, as quais perpassam significativamente pela perseguição aos menos afortunados e aqueles que vivem abaixo da linha de pobreza (ou miséria) e sofrem com as constantes retaliações das forças de controle da segurança do estado.
Contudo ressaltamos a importância e relevância histórica desta Caravana da Anistia, porém se faz necessário que se implante outras como esta para que se possa de fato abordar questões relativas á segurança publica pois assim como os anistiados ainda temos muitos cidadãos, principalmente negros, que precisam da Anistia Social por parte da Justiça por não terem acesso digno á mesma, e onde muitos sofrem com a perseguição por parte das forças de segurança controladas pelos estados e mais do que isso romper de vez com o paradigma estabelecido nestes órgãos.

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CONTO DE UM DELINQUENTE
Nos primórdios de 2007 iniciava-se o esboço de um audacioso plano de ação entre poucos delinqüentes como eram referendados na época em Uberlândia, os mesmos eram considerados tais por se identificarem e ouvirem rap e serem oriundos do movimento hip-hop um estilo advindo da música black a qual inclui vários ritmos e que no auge movimentaram uma geração inteira, na recente historia brasileira dos anos 70-80, porém que teve seu inicio bem no começo do século passado e que por conseqüência traz incutido como raiz os sons africanos.
Os principais argumentos destes delinqüentes referenciavam o sistema discriminatório, a falta de oportunidade e a desordem das ações que não cumprem seus objetivos, esses delinqüentes de Uberlândia sempre se reuniam para refletir e propor novos rumos para mudar ou transformar para melhor a sua realidade e estes já cansados das profecias e seus profetas se organizaram, e se uniram a outras pessoas que sentiam na pele e vivenciavam a mesma situação que eles.
Especificamente em Uberlândia este grupo de delinqüentes como eram vistos se transformaram numa equipe e que com um trabalho de mobilização social e articulação de um plano político social vem alçando vôos que muitos nem os mesmos esperavam e isto se deve a organização, dialogo comprometimento, ética, moral, e respeito entre os pares, tais adjetivos são bem familiares entre os delinqüentes porque há um código de postura entre os mesmos e que é seguido à risca e quem respeita esse código tem transito livre porque é sangue bom, safado não se cria nem atravessa, como se diz na gíria.
O discurso destes abnegados passou longe da comunidade acadêmica, mas há a participação da mesma. E uma análise meramente técnica ou simplista sobre a questão certamente não conseguirá dar conta da complexidade desta reflexão acerca do trabalho que repercuti nacionalmente.
Só que tal complexidade é uma prova que pode ser extremamente difícil de se fazer, já que os objetivos são difusos e que envolvem redução de desigualdades sociais e econômicas, étnicas e éticas, de caráter, de moral, e mais do que isto que haja um julgamento de fato dos reais objetivos a serem avaliados mediante a complexidade da reflexão da repercussão nacional das ações destes delinqüentes e seus pares.
Acreditamos que o sistema o qual estamos envoltos e que não podemos virar as costas, uma vez que amplie o acesso ao mesmo, torne-se mais plural, de modo que este possa produzir com conhecimento real e de fato um plano concreto e voltado para a geração de oportunidade socioeconômica, cultural entre outros com um cunho moralmente e etnicamente referenciado, pois isto é um importante passo para a inclusão, interação e a transformação social, já que a igualdade não é só tratar todos da mesma forma, mas sim tratar os diferentes de forma diferenciada para que possam se igualar.
Não é de se espantar que os delinqüentes de Uberlândia hoje tenham status devido sua posição conquistada, mas os mesmos já sabiam do seu potencial e as turbulências que os acometiam, mas foram apenas ventarolas, não eram vendavais, por isso, estes delinqüentes sempre convocam seus pares e convidam a todos para que venham debater com a comunidade sobre sua posição e propostas de ação e intervenção e saia da demagogia ou dos holofotes, pois os verdadeiros atores têm o cenário e a peça, e para interpretar há a exigência de que se conheça minimamente a complexidade da cena mesmo para ser figurante, pois conforme a peça ou a interpretação o publico pode não ir ou voltar ao teatro e o espetáculo pode ser um fracassa de bilheteria.

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CONAPIR – MG
Resumo da II Conferência Estadual Setenta e quatro municípios de Minas Gerais aderem ao Fórum Intergovernamental daIgualdade Racial (FIPIR)25/05/2009 - 15:44
No último fim de semana (23 e 24/05), Belo Horizonte foi sede da II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais, que contou com a participação de mais de 400 pessoas para discutir questões importantes, como as cotas para negros em universidades e a demarcação de terras para comunidadesindígenas e quilombolas. Uma importante decisão tomada no encontro foi a criação do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial. O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, considerou a Conferência mineira uma das mais participativas e calorosas do país. Na abertura do encontro, o ministro ressaltou a necessidade do estado e do Brasil criarem oportunidades para a parcela da população historicamente excluída, e a importância da parceria entre os governos federal e estadual para o sucesso das ações. Para o coordenador da Conferência de Minas Gerais, Fábio de Carvalho Santos, a decisão dos participantes pela criação do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial foi o principal resultado do encontro. "O projeto para a criação do Conselho já havia sido aprovado pela Assembléia Legislativa, mas faltava consenso em torno dele. Agora o novo órgão vai dar grande força para o estado delinear as políticas públicas de igualdade racial", ressaltou Carvalho, que é diretor de Formação e Educação em Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedese). O novo conselho contará com a participação do Poder Público, da sociedade civil e de representantes dos povos de etnia cigana, negra, árabe e indígena. No antigo conselho, só os negros estavam representados. A expectativa do diretor é que o projeto seja aprovado até a próxima semana e sancionado em seguida pelo Governo de Minas Gerais. Fábio de Carvalho destacou ainda a importância da assinatura do termo de adesão ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR) por 74 municípiosmineiros. O Fórum tem por objetivo promover uma ação continuada entre as três esferas de governo (federal, estaduais e municipais) com a finalidade de articular,capacitar, planejar, executar e monitorar as ações para a promoção da igualdade racial. Segundo o diretor, pelo menos outros quinze municípios pediram para assinar o termo durante o evento.

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Alexsandro Damas Francisco
adafx1@yahoo. com.br
34 9126 5604 - Uberlândia/MG